Radar M&A — 15 out 2026
Itaú compra 35% da Prisma Capital (sujeito a Cade e BC); Cade libera cisão da Azzas e JV Open USD; Lufthansa leva 44,9% da TAP (€1,201 bi); CVM Res. 249; conselheiros da Oncoclínicas acionam a CVM.
O Itaú entra como sócio minoritário de uma gestora de alternativos. O Cade libera a cisão da Azzas e a JV de stablecoin das gigantes de pagamento. A Lufthansa leva a TAP, e a CVM abre o piloto de tokenização. Veja os destaques de M&A, captação e regulação.
- Itaú compra 35% da Prisma Capital · gestão de recursos (private equity, crédito privado e claims); Itaú Unibanco (ITUB4) e Prisma Capital, gestora de alternativos fundada em 2017 por Marcelo Hallack, João Mendes e Lucas Canhoto; valor não divulgado; o aporte é 100% primário, em ações preferenciais sem voto; a Prisma tem cerca de R$ 28 bi sob gestão, e os fundadores mantêm 65% e todo o capital votante; o Itaú não terá assento no conselho nem no comitê de investimentos. Status: a conclusão depende de aprovação do Cade e do Banco Central, portanto a operação ainda não é definitiva. Por que importa: o maior banco do país ganha exposição a alternativos sem levar o controle, e o dinheiro vai financiar plataformas de originação de crédito (consignado, ativos judiciais). (NeoFeed, 14/10)
- Cade libera cisão da Azzas 2154 · varejo de moda; Azzas 2154 (AZZA3), com o bloco Birman ficando com a Arezzo&Co e o bloco Jatahy com a Soma; segundo as empresas, não há pagamento de preço na troca de ações; o valor de mercado da Azzas é estimado em R$ 5,2 bi. Status: a Superintendência-Geral do Cade aprovou sem restrições em 14/10; ainda faltam o trânsito em julgado, as aprovações societárias, o registro da Soma na CVM e a listagem no Novo Mercado. Por que importa: a operação desfaz a fusão de 2024; a Hering vai para a Arezzo&Co, e a Farm vira uma sociedade própria (57,4% Arezzo&Co / 42,6% Soma); a Soma volta à B3 como companhia aberta. (Folha C-Level, 14/10)
- Lufthansa vence disputa pela TAP · aviação; governo de Portugal (vendedor), Deutsche Lufthansa (compradora) e Air France-KLM (proposta derrotada); participação inicial de 44,9%, que pode subir a 49,9% se os funcionários não exercerem os 5% reservados a eles; a oferta soma até € 1,201 bi, contra € 1,038 bi da Air France-KLM. Por que importa: a TAP tem posição forte no Atlântico Sul; a Lufthansa diz que o negócio reforça suas rotas Europa-Brasil/América Latina/África e se declara aberta a comprar, no futuro, os 50,1% que seguem com o Estado. (Bloomberg Línea, 14/10)
- Cade aprova JV de stablecoin Open USD · pagamentos e stablecoin em dólar; Visa, Mastercard, Coinbase, Stripe e Shopify, por meio do consórcio Open Standard; valor não reportado. Status: Cade aprovou sem restrições, por não haver sobreposição horizontal no Brasil nem na América Latina. Por que importa: o token é lançado a partir dos EUA e, por ora, não será oferecido no Brasil; as reservas ficam com BlackRock, Lead Bank e BNY; a Stripe, a Visa e a Mastercard seguem com stablecoins de terceiros, como a USDC. (Exame, 14/10)
- CVM cria Programa Piloto DLT (Resolução 249) · mercado de capitais e tokenização; CVM e Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT); valor não se aplica. Status: a resolução está em vigor desde a publicação, em 14/10. Por que importa: o regime experimental permite testar emissão, oferta, negociação, custódia e liquidação de ações, debêntures, recebíveis e cotas de fundos em redes DLT; os relatórios finais vão embasar eventuais propostas de mudança nas normas ou na lei. (CVM/gov.br, 14/10)
- Oncoclínicas: conselheiros independentes pedem apuração da CVM · saúde (oncologia), em reestruturação; segundo o Pipeline/Valor, os conselheiros Raul Rosenthal Ladeira de Matos, Ademar Vidal Neto e Mateus Affonso Bandeira apresentaram reclamação formal, datada de 13/10, contra o chairman (Curti) e diretores, pedindo que a CVM apure a conduta deles; pedem também que a CVM verifique se Latache, Lumen e Bruno Ferrari formam bloco de controle, tese que a Latache rechaça. Segundo a reclamação, R$ 630 mi em créditos do BTS Goiânia, cuja credora é a Cedro Participações, de Lucas Kallas, entraram no quadro de credores sem auditoria nem laudo. Status: trata-se de um pedido dos conselheiros; a CVM não se pronunciou no material citado. Por que importa: caracterizar um bloco de controle mudaria os direitos dos minoritários; há AGEs em 3 e 6/11, a segunda para eleger todo o conselho. (Pipeline/Valor, 14/10)
Hoje o mapa mostra capital bancário entrando em alternativos, o Cade destravando reorganizações e JVs, e a CVM abrindo espaço regulatório para a tokenização. Sem recomendação de investimento.
Perguntas frequentes
A compra de 35% da Prisma Capital pelo Itaú já está concluída?
Não. A conclusão depende de aprovação do Cade e do Banco Central. O valor não foi divulgado; o aporte é 100% primário, em ações preferenciais sem voto, e os fundadores mantêm 65% e todo o capital votante. A Prisma tem cerca de R$ 28 bi sob gestão.
O que o Cade decidiu sobre a cisão da Azzas?
A Superintendência-Geral aprovou sem restrições em 14/10. O bloco Birman fica com a Arezzo&Co e o bloco Jatahy com a Soma. Ainda faltam o trânsito em julgado, as aprovações societárias, o registro da Soma na CVM e a listagem no Novo Mercado.
Quanto a Lufthansa pagará pela participação na TAP?
A oferta soma até € 1,201 bi, contra € 1,038 bi da Air France-KLM, por uma participação inicial de 44,9%, que pode subir a 49,9% se os funcionários não exercerem os 5% reservados a eles.
O Cade aprovou a JV de stablecoin Open USD?
Sim, sem restrições, por não haver sobreposição horizontal no Brasil nem na América Latina. A JV reúne Visa, Mastercard, Coinbase, Stripe e Shopify por meio do consórcio Open Standard. O token é lançado a partir dos EUA e, por ora, não será oferecido no Brasil.
O que é o Programa Piloto DLT da CVM?
A Resolução 249, em vigor desde a publicação em 14/10, cria um regime experimental para testar emissão, oferta, negociação, custódia e liquidação de ações, debêntures, recebíveis e cotas de fundos em redes DLT. Os relatórios finais vão embasar eventuais propostas de mudança nas normas ou na lei.
O que os conselheiros da Oncoclínicas pediram à CVM?
Segundo o Pipeline/Valor, três conselheiros independentes apresentaram reclamação formal, datada de 13/10, pedindo que a CVM apure a conduta do chairman e de diretores e verifique se Latache, Lumen e Bruno Ferrari formam bloco de controle. A Latache rechaça a tese. É um pedido dos conselheiros, sem conclusão da CVM no material citado.